Dentes saudáveis desde cedo

 

“Para teres um sorriso bonito e saudável deves escovar os dentes três vezes ao dia”, diz o crocodilo. Já o leão aconselha a proteger os dentes utilizando o flúor, uma vitamina que se encontra na pasta de dentes e no líquido para bochechar. Estas são duas regras fundamentais para uma boa saúde oral que a higienista oral Sónia Silva incute nas crianças e nos pais nas consultas do Unidade de Cuidados de Saúde Primários do Centro de Saúde de São Sebastião.

O crocodilo e o leão são apenas figuras que fazem parte da decoração do consultório de higiene oral. Um pequeno truque, tal como as histórias que Sónia Silva vai contando aos mais pequenos, para cativar a cooperação.

Apesar de a higiene oral de uma criança dever começar logo nos primeiros dias. “O bebé não precisa de ter dentes para se fazer a higiene”, aconselha Sónia Silva, que também consulta utentes no pré e no pós-parto. Pegar na ponta da fralda ou numa compressa e limpar a parte interior das bochechas e as gengivas do bebé, depois de cada mamada, é um primeiro passo para a criança começar a ter hábitos de higiene.

A utilização da escova ou da dedeira de silicone, que transmite maior sensibilidade ao toque, e do dentífrico só é iniciada com o romper do primeiro dente e não, ao contrário do que muitas vezes os pais possam pensar, quando todos os dentes tiverem nascido. Evita-se assim o aparecimento, cada vez mais cedo, de cáries. Importante é o incentivo à escovagem dos dentes desde cedo, três vezes ao dia, uma obrigatoriamente ao deitar. Aos pais cabe dar o exemplo desta prática, demonstrando que é uma tarefa necessária mas agradável.

Consultas gratuitas

A primeira ida ao dentista ou higienista oral deve fazer-se entre os 3 anos e meio e os quatro. No âmbito do Serviço Nacional de Saúde, as consultas são gratuitas para grávidas e crianças até aos 13 anos, uma oportunidade, que segundo Sónia Silva, os pais não podem perder, bem como os cheques-dentista do Programa Nacional de Promoção da Saúde Oral.

A higienista oral Sónia Silva, que recebe cerca de 800 crianças anualmente, numa média de 10 a 12 consultas por dia, diz que o importante é não forçar se a criança estiver irrequieta ou assustada com a panóplia de instrumentos.

Quem não se deixa amedrontar é a Matilde, de 4 anos, que aproveitou as férias da Páscoa, para ir, pela segunda vez, à consulta de higiene oral da Unidade de Cuidados de Saúde Primários do Centro de Saúde de São Sebastião.

Recostada na cadeira, Matilde começa por mostrar os dentes de leite à higienista, seguindo-se um bochecho. Com duas escovas à escolha, uma eléctrica e outra normal, Matilde conta que em casa lava os dentes três vezes.

A higienista oral prepara a pasta com sabor a morango e o flúor, “para matar os micróbios”. “Sabes o que são os buracos nos dentes?”, pergunta a profissional de saúde. “Cáries”, responde prontamente Matilde.

Para fortalecer os dentes da pequena Matilde, são colocados dois moldes de silicone com flúor, deixando actuar durante alguns minutos. No caso da Matilde, não foi necessário aplicar selante nos molares. O selante é um verniz que se coloca na parte do dente que mastiga, tornado esta superfície mais fácil de limpar e lisa, diminuindo o risco do dente cariar. A higienista oral alerta a mãe da menina para que, durante meia hora, Matilde não coma nem beba, para que o flúor não se dilua e perca o efeito.

Sorrisos limpos

Matilde não vai embora do consultório sem que a higienista oral Sónia Silva lhe relembre a importância de lavar os dentes. É fundamental que o dentífrico contenha entre 1000 e 1500 ppm de flúor. Esta medida encontra-se na composição descrita na embalagem. A escova, que se substitui de três em três meses, deve ser macia ou média.

Já a escovagem, demonstrada com dois maxilares “gigantes”, obedece a uma técnica que passa por fazer dez movimentos - cinco no caso de crianças até aos 6 anos – em cada dois dentes. Deve-se começar pela superfície externa, do lado da bochecha, do último dente de um dos maxilares até atingir o último dente do lado oposto. Passa-se para o lado interior, não esquecendo as superfícies mastigadoras com movimentos vaivém, e repete-se todo o processo no outro maxilar.

Para finalizar, deve-se escovar a língua e cuspir o excesso de pasta, sem bochechar com água, e usar um elixir. Se este ritual for cumprido diariamente, a remoção da placa bacteriana fica garantida prevenindo o aparecimento de doenças orais.

O acompanhamento regular por parte do médico dentista ou higienista oral, aliado às acções de sensibilização promovidas junto das escolas, que incentivam ao bochecho de flúor e à técnica de escovagem, são fundamentais para reduzir a incidência e a prevalência das doenças orais nas crianças e adolescentes. 

Ficha técnica: CMS - Câmara Municipal de Setúbal / ESS - Escola Superior de Saúde / INCP - Instituto Nacional de Cardiologia Preventiva / HS - Hospital de Santiago / ACESSP-SP - Agrupamento de Centros de Saúde de Setúbal e Palmela - Saúde Pública / CHS - Centro Hospitalar de Setúbal / Rotary Clube de Setúbal-Sado / MiniSom (patrocinador)