"Desculpe? Não ouvi"

 

O impacto que a perda de audição tem nas actividades diárias é determinado pelo estilo de vida de cada um, afectando não só o próprio indivíduo como a sua família.

Estudos mostram que a perda auditiva sem tratamento está associada a estados de depressão, ansiedade, baixa auto-estima ou irritabilidade, factores que afectam a capacidade de viver plenamente.

De acordo com estatísticas recentes, têm perda auditiva aproximadamente uma em cada dez pessoas e uma em três com mais de 65 anos.

Mas porque perdemos a audição? As causas são muitas e variadas, como a exposição prolongada ao barulho, durante longos períodos de tempo, o envelhecimento, uma doença ou até razões genéticas.

O nível e o tempo de exposição a um ruído, por exemplo, podem determinar se este é ou não causador de danos no aparelho auditivo. Faça a seguinte experiência: Se tiver de levantar a voz para ser ouvido por alguém que está a três metros de distância, então o ruído em torno pode ser prejudicial.

Sinais moucos

A perda de audição manifesta-se de maneiras muito diferentes e é necessário reconhecer os sinais. Com uma perda auditiva ligeira nas frequências altas, o único sintoma pode ser uma dificuldade subtil para perceber as palavras, especialmente nas situações onde há ruído. Algumas vozes ou conversas podem soar pouco inteligíveis, como se as pessoas estivessem a murmurar.

Com uma perda de audição severa ou profunda, o mais normal discurso ou conversa é inaudível e mesmo o som de alarmes ou outros sons altos podem não ser ouvidos.

Com uma perda moderada de audição, o volume integral dos sons é reduzido. O televisor e o rádio são ouvidos num volume mais alto do que o normal e conversar ao telefone torna-se difícil.

Algumas pessoas com perda de audição experimentam uma distorção do som, especialmente nas palavras. A música também parece distorcida, mesmo quando o volume do som é confortável, levando a um menor prazer e interesse em ouvi-la.

Outros sinais podem incluir pedir às pessoas para repetirem o que disseram, ter a sensação de que as pessoas murmuram e não falam claramente, bem como sentir dificuldade de ouvir alguém que esteja a falar um pouco mais afastada.

Em situações em que há ruídos de fundo – restaurantes, reuniões familiares ou festas – ouvir é muito mais difícil para as pessoas com perda de audição.

Se manifesta alguns destes sintomas, a MiniSom, especialista em saúde auditiva, aconselha uma avaliação audiológica global, ou seja, a realização de um teste auditivo, o mais breve possível.

Perda invisível

A família e os amigos têm um papel fundamental para incentivar a pessoa com perda de audição a procurar ajuda especializada. Apoio, paciência e informação podem ajudar um familiar ou amigo a procurar tratamento.

Apesar de estarem disponíveis terapias eficazes, como o aparelho auditivo, muitas pessoas com perda de audição continuam sem tratamento, seja por falta de informação, seja por desconhecimento sobre soluções disponíveis.

A perda de audição tem sido chamada de condição de saúde “invisível”, dado não estarem associados sinais físicos visíveis. Geralmente, ocorre de forma gradual e pode ser percebida por amigos ou familiares muito antes de a pessoa afectada notar o problema.

Quem tem perda de audição nem sempre sabe o que perdeu porque simplesmente não ouviu. Às vezes, os sons podem parecer suficientemente altos, mas não são claros.

A negação é uma reacção comum ao stress, escondendo sentimentos como o medo e a frustração, enquanto se procuram informações e soluções adequadas. A si – familiar ou amigo – cabe-lhe ser paciente, prestando o apoio necessário e falando abertamente sobre como a perda de audição afecta a comunicação.

Ajude a ouvir

Outra forma de ajudar é melhorar a comunicação, através de boas técnicas para tornar as conversas audíveis e reduzir a frustração resultante das dificuldades em ouvir.

Para começar, diminua o ruído de fundo quando está a conversar, desligando o televisor ou o rádio sempre que possível. Quando estiverem a falar olhem um para o outro, pois todos nós temos uma capacidade natural para ler os lábios. Abstenham-se de tentar ter conversas quando estão de costas voltadas ou em diferentes divisões da casa.

Sente-se próximo, preferencialmente frente-a-frente, da outra pessoa quando estiver a ter uma conversa, pois a distância diminui o volume e a clareza do som.

Alguns sons e palavras são mais difíceis de ouvir dependendo do grau de perda de audição. É por isso aconselhável reformular em vez de repetir. Gritar também não resolve nada, pois distorce os sons e as palavras. Por isso deve falar num tom normal e pausado para que se fazer compreender por quem tem audição diminuída.

Todos estes conselhos são essenciais para recuperar bons hábitos de comunicação, mas é fundamental uma consulta com o médico, o audiologista ou o especialista em instrumentos de audição.

Ficha técnica: CMS - Câmara Municipal de Setúbal / ESS - Escola Superior de Saúde / INCP - Instituto Nacional de Cardiologia Preventiva / HS - Hospital de Santiago / ACESSP-SP - Agrupamento de Centros de Saúde de Setúbal e Palmela - Saúde Pública / CHS - Centro Hospitalar de Setúbal / Rotary Clube de Setúbal-Sado / MiniSom (patrocinador)