Solidão nos idosos

Que a população portuguesa está a envelhecer, já o sabemos. É comum ouvirmos ou lermos que o indicie de envelhecimento tem aumentado e a tendência é para continuar.

Mais do que números, importa saber e discutir em que circunstâncias vivem os cerca de um milhão e 900 mil cidadãos com mais de 65 anos. A questão da solidão tem sido uma das mais levantadas, quer por especialistas nas áreas da saúde e da sociologia, quer pela sociedade civil.

Num estudo que define o perfil de envelhecimento da população portuguesa, da autoria de médicos da Faculdade de Medicina de Coimbra, em parceria com a Faculdade de Ciências Médicas de Lisboa da Universidade Nova de Lisboa, concluiu-se que quase 40 por cento dos portugueses a partir dos 65 anos passam oito ou mais horas por dia sozinhos.

Neste estudo estiveram envolvidos 2672 indivíduos, com mais de 55 anos, autónomos e a viver em casa própria. Esta investigação revelou que cerca de 25 por cento dos inquiridos, com mais de 65 anos, vivem sozinhos, mas são bastantes mais as pessoas desta idade - 36,5 por cento - que passam os seus dias sós durante oito ou mais horas por dia. Tristes, sós e deprimidos foram sentimentos expressados por quase 20 por cento, sendo as mulheres – 40,5 por cento – as mais solitárias. O estudo aponta para uma percentagem mais baixa – 26,2 por cento – no sexo masculino, uma vez que a esperança de vida é maior no feminino. Vivem mais, mas pior. Os dados demonstraram que as mulheres vivem pior, estão mais sozinhas, têm menos escolaridade, mais problemas de locomoção, mais propensão para quedas, pior saúde física e emocional e pior ao nível cognitivo. Porém, nem tudo é mau. As mulheres mantêm-se mais autónomas em relação aos homens.

Embora o estudo revele que o universo dos inquiridos tenha elevados índices de autonomia para as tarefas diárias e de cognição, não há qualquer tipo de intervenção na sociedade aproveitando essas e outras capacidades, passando longos períodos do dia sozinhos.

Dados da Segurança Social indicam a existência de 630 mil pessoas que vivem sozinhas, das quais 390 mil têm mais de 65 anos. Destes, entre seis a oito por cento - 25 a 27 mil pessoas idosas - não conta com qualquer tipo de apoio.

 

Aposta na revitalidade

Números à parte, embora sejam fundamentais para o planeamento de estratégias de intervenção para um envelhecimento saudável e para a promoção de bem-estar, colmatar a solidão destes cidadãos tem sido preocupação do Município de Setúbal.

É neste combate ao isolamento e à solidão que a Câmara Municipal, em parceria com as juntas de freguesia e as instituições públicas e privadas do Concelho, tem investido esforços focados na população idosa, que corresponde a 15 por cento da população residente e a mais de 17 mil munícipes.

A promoção de atividades nas mais diversas áreas pretende potenciar a participação e a valorização da população sénior, estimulando a vida ativa e quebrando o ciclo de solidão e isolamento que tantas vezes acompanha o idoso no seu quotidiano. Procura igualmente promover oportunidades do idoso desempenhar um papel ativo, assim como cultivar as relações interpessoais.

Por outro lado, o conjunto de ações proposto pela Autarquia pretende desenvolver o espírito de iniciativa, de organização e de solidariedade, de forma a contribuir para o enriquecimento pessoal e social, despertando o potencial criativo.

Em desenvolvimento está o Observatório Sénior de Setúbal, um projeto - promovido pela Universidade Sénior de Setúbal (Uniseti) em associação com a Autarquia e o Instituto Politécnico de Setúbal - que procura, numa primeira fase, proceder ao levantamento e caracterização da população residente no Concelho com mais de 60 anos, bem como inventariar as respostas já existentes ao nível da saúde, educação, cultura e socialização, direcionadas para a pessoa idosa. Posteriormente, será feita uma reflexão e criação de linhas estratégicas para a promoção da qualidade de vida dos seniores e para o desenvolvimento da valorização do papel social do idoso.



Fugir à solidão


Câmara Municipal

Projeto Mais Saber – Informática, Fotografia e Inglês
“Renascer da Solidão” – Croché e Pintura
Divisão de Inclusão Social
Rua Amílcar Cabral, n.os 4 e 6
265 545 170

“Desportivamente em (Re) Forma”
“Ativo dos 0 aos 100”
Divisão de Desporto
Parque Urbano de Albarquel
265 548 234

Centro de Cidadania Ativa

Rua João Eloy do Amaral, n.º 140
265 547 450

UNISETI

Universidade Sénior de Setúbal
Avenida Dr. Manuel de Arriaga, 6 – r/c Dto
265 233 67

Ficha técnica: CMS - Câmara Municipal de Setúbal / ESS - Escola Superior de Saúde / INCP - Instituto Nacional de Cardiologia Preventiva / HS - Hospital de Santiago / ACESSP-SP - Agrupamento de Centros de Saúde de Setúbal e Palmela - Saúde Pública / CHS - Centro Hospitalar de Setúbal / Rotary Clube de Setúbal-Sado / MiniSom (patrocinador)